Descaso e Desastre

A lamentável tragédia ocorrida em nossa cidade neste mês não aconteceu por acaso. Muitos irão culpar o homem e sua relação direta com a natureza, como o alto grau de poluição acarretando nas mudanças climáticas, subvertendo a ordem natural das estações do ano. Este é um fato perceptível por todos, não importa se se é morador da região serrana ou não. É algo perceptível em todo o planeta, não precisamos ser cientistas para afirmar que a ação humana em nosso meio ambiente, realizada de forma predatória há séculos, só vem piorado as condições do planeta em que vivemos. O incentivo e a reprodução de uma sociedade altamente consumista, com valores pregados no excesso e no desnecssário é a combustão para a eternização de um sistema que demonstra que tal grau de consumo e produção é o caminho para a destruição do meio ambiente.

Mas a culpa não pode recair apenas sobre a natureza – ou a ação do homem sobre ela. Temos de avaliar também a não-ação política do homem frente aos desastres naturais ou por aqueles que são fomentados pela má administração pública. Um dos principais argumentos usados para explicar a catástrofe pela qual estamos passado, como “propriedades em áreas irregulares”, deve ser desmistificado.

Cabe ao poder público executar políticas urbanas que contemplem a população de forma igualitária, com a ausência de interesses econômicos ou de pequenos grupos que colocam números acima de vidas humanas. Uma política habitacional – que há anos é negligenciada – deveria ser OBRIGAÇÃO por parte de nossa prefeitura: sua implementação e manutenção, para que o povo friburguense pudesse viver em moradias dignas, com acesso direto aos bens públicos com qualidade. O que se observa nesse momento em nossa cidade é que as regiões mais atingidas são, em sua maioria, as que mais sofreram com o descaso do Poder Público que se estende já por décadas. Morros e encostas ocupados irregularmente somente o são pelo simples fatos de i) o próprio governo não delimitar tais áreas; ii) não implementar de forma responsável políticas públicas que atendam de fato à população, seja de alta ou baixa renda;  iii) investimento em contenção de barreiras, drenagens dos rios e afluentes, assim como maiores investimentos para prevenção; iv) não atendimento das necessidades básicas da população (e porquê não da humanidade?), como o direito a uma moradia digna, na qual quem a habita é um ser humano, que contribui com seus impostos para a melhoria da cidade e acima disso, trata-se de uma vida humana.

Não vou entrar no mérito do repasse de verbas do Fundo Estadual de Conservação Ambiental por parte de nosso excelentíssimo governardor Sérgio Cabral para as Organizações Marinho (leia aquiaqui), pois este não é o principal motivo para explicar a tragédia em toda região serrana, mas é de suma importância que sejam avaliadas as denúncias de forma concisa e respeitosa, dando a devida resposta à população que está sofrendo com tamanha calamidade e, infelizmente, pelo visto, ainda sofrerá por um bom tempo, assim como a cidade toda, que ainda lamenta por suas mortes e luta para se reerguer frente ao cenário alarmante que algumas regiões se encontram.

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Sobre Conrado

Cientista social, aspirante a sociólogo. Defensor da livre circulação de conhecimento e informação.
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